Brasil deve atrair mais investimento chinês em energia
Por Carolina Marcondes
SÃO PAULO (Reuters) - A aquisição de ativos de transmissão de energia da Plena Transmissoras pela chinesa State Grid Corporation foi bem recebida por analistas e especialistas do setor elétrico. Para eles, além de garantir o aumento da presença estrangeira, a operação evita um possível aumento de participação estatal brasileira no setor.
A Plena Transmissoras --antes controlada pelas espanholas Elecnor, Isolux e Cobra-- teve sete de suas 12 empresas no Brasil vendidas aos chineses, em um negócio avaliado em 3,1 bilhões de reais, incluindo dívidas.
As empresas da Plena integralmente adquiridas pela State Grid foram Serra da Mesa, Poços de Caldas, Ribeirão Preto, Serra Paracatu e Itumbiara.
Outras duas --Expansión Transmissão de Energia Elétrica e Expansión Transmissão Itumbiara Marimbondo-- tiveram, cada uma, 75 por cento do seu capital vendido ao grupo estatal chinês.
Para o diretor-executivo da Associação Brasileira das Transmissoras de Energia (Abrate), Cesar de Barros Pinto, é lógico esperar a presença de chineses nos próximos leilões do setor.
"O sucesso do modelo do setor elétrico brasileiro pode ser medido pela atratividade que apresenta para o investidor privado. O investidor estrangeiro, privado ou estatal, será sempre bem recebido, pois sinaliza a consolidação do modelo", disse ele em nota.
O analista Ricardo Corrêa, da Ativa Corretora, afirmou que já era esperado que uma empresa chinesa entrasse no setor brasileiro de energia, "onde a participação do Estado ainda é muito grande".
Na visão do analista, o segmento de transmissão de energia deverá continuar sendo o principal foco dos chineses no setor. "Geração é complicado, porque já existem muitos grupos tradicionais, estrangeiros ou não. Distribuição é muito difícil, mas transmissão é algo mais fácil de administrar: não é necessário tradição, apenas volume", observou.
Segundo o consultor de energia Silvio Areco, da Andrade & Canellas, chama a atenção dos investidores estrangeiros o fato de a regulação do setor de energia no Brasil ser bem definida e a demanda, crescente.
"O Brasil entrou no cardápio dos investimentos chineses na indústria de base, e algumas vezes a troca de posições no setor traz um grande volume de investimentos."
O consultor da Andrade & Canellas aposta que os chineses entrem com força também nos futuros leilões de empreendimentos de geração, e não apenas de transmissão de energia.
"A avaliação do risco que deve ter sido feita por eles inclui todos os segmentos de energia elétrica, e o fato de eles serem uma estatal não é problema: a Cemig também é e não deixa de ser agressiva por isso", comentou Areco.
O analista Filipe Lopes, da Ágora Corretora, destacou a experiência que a State Grid possui em transmissão da China, país mais extenso que o Brasil. "A aquisição mostra que não o governo brasileiro não é o único a colocar dinheiro no setor no Brasil", acrescentou Lopes.
Outro exemplo de forte presença estrangeira no segmento de transmissão de energia no Brasil é a Transmissão Paulista (Cteep), ex-estatal controlada pela ISA, com negócios também na Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e países da América Central.
Antes de a estatal chinesa ter arrebatado os ativos da Plena, acreditava-se na possibilidade de a Cemig comprar as linhas de transmissão.
"A Cemig costuma pagar caro por suas aquisições. Isso significa que a State Grid ofereceu um valor ainda maior pela Plena", afirmou o analista da Ágora.
No ano passado, a Cemig adquiriu a transmissora Terna, que era de controle italiano, por 2,33 bilhões de reais.
A compra dos ativos da Plena pela estatal chinesa ainda está sujeita à aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). De acordo com a Aneel, o processo de transferência de controle será analisado pela diretoria colegiada em uma reunião em data ainda não definida.
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