domingo, 23 de maio de 2010

Fontes renováveis na matriz energética brasileira já superam 47%

03/05/2010

O crescimento do percentual da matriz energética brasileira composto de energias renováveis, com importante contribuição dos produtos derivados da cana-de-açúcar, é uma tendência importante que tende a continuar. A avaliação foi feita pelo presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Marcos Jank, após divulgação na quinta-feira (29/04) dos dados preliminares do Balanço Energético Nacional (BEN) de 2009.

Os dados, divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mostram que as energias obtidas de fontes renováveis atingiram 47,3% de toda a energia consumida no Brasil, crescimento de quase 3% em relação a um ano atrás. Trata-se do maior nível de participação das energias renováveis no País desde a década de 70.

Pelo terceiro ano consecutivo, os produtos derivados da cana lideram entre as energias renováveis com participação de 18,1% da matriz, à frente da hidroeletricidade, que aparece com 15,3% de toda a energia utilizadano País. O petróleo e seus derivados permanecem na liderança, com 37,8% do total.

“O setor sucroenergético possui hoje sólidos fundamentos econômicos e de sustentabilidade que possibilitam, mesmo em um período de crise global como assistimos no início de 2009, aumentar a nossa fatia no bolo energético. Não tenho dúvidas que se trata de uma tendência,” afirma Jank ao se refir ao crescimento de 2,8% dos chamados “produtos derivados de cana” em 2009 sobre 2008. Os produtos da cana considerados na matriz energética são o etanol e o bagaço da cana-de-açúcar, utilizado na geração de bioeletricidade.

Para Jank, o uso do etanol é referendado pela recente marca de dez milhões de veículos flex fabricados no país, alcançado no início de março pela indústria automobilística nacional. “Hoje, 92% da frota de veículos leves licenciados no País tem embarcada a tecnologia flex, o que é algo inédito e inovador em todo o mundo,” acrescenta.

Bioeletricidade

Para o assessor de bioletricidade da UNICA, Zilmar de Souza, a tendência apontada por Jank é correta, e acrescenta que no caso do bagaço de cana, utilizado para produzir energia elétrica, o interesse em desenvolver esse aspecto pelo setor sucroenergético é visível.

“Cito como exemplo o fato de o setor sucroenergético ter cadastrado 55 projetos de uso do bagaço de cana para produção de energia no próximo Leilão de Energia de Reserva, previsto para ocorrer no dia 18 de junho. Um número acima das nossas expectativas,” informa Zilmar. Em termos de potência instalada, o total de projetos de bioeletricidade cadastrados para o leiláo significa 3.518 MW, representando 24% do total da oferta cadastrada.

Para a UNICA, o setor sucroenergético tem potencial para apliar sua participação da matriz de energia por meio da bioeletricidade, podendo atingir, até a safra 2020/21, mais de 13 mil MW médios de energia exportada para o sistema elétrico. Esse total seria equivalente a quase três vezes a energia assegurada da Usina Belo Monte, que deverá ser a terceira maior usina hidrelétrica do mundo.

Fonte: UNICA

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